A Solidão da Mulher Expatriada

Nesse artigo vou abordar um pouco sobre a solidão da mulher hétero expatriada, antes que falem qualquer coisa, provavelmente os homens também tem, porém não sou homem e não posso opinar.

Voltando,

Quando mudamos de país com o visto de companheira, sentimos muito medo e ao mesmo tempo curiosidade, o que será que nos espera? Será que vamos conseguir trabalhar? Ser independente? Ter amigos? Viver sozinhas a maior parte do tempo?

Essas perguntas são tão consistentes e persistentes que a pressa em conseguir logo um emprego é uma preocupação e angústia em quase todas as mulheres que conheci nos quase 2 anos de Holanda e agora, em Londres.

A pressa é tão grande que cega até a vontade e determinação de aprender o idioma do país, caso não saiba,  o que eu sempre digo nesse caso, é tentar focar em aprender o idioma necessário e não tentar trabalhar no primeiro emprego que aparece, que geralmente é barista ou cleaner, o que ao meu ver não tem nenhum problema, portanto que seja porque você quis e não porque precisa mostrar para a sociedade e as pessoas ao redor que você é independente e pode se sustentar, não depende do companheiro.

E aí isso puxa para outro assunto, o quanto a sociedade julga a sua escolha, se você se muda com seu companheiro brasileiro as pessoas julgam e apontam o dedo na sua cara, com julgamento disfarçado de preocupação as pessoas começam a dizer:

 – É bom conseguir um emprego, ser independente, já pensou se seu marido cansa de você? E aí, o que você vai fazer?

Se você é casada com estrangeiro as pessoas começam a dizer quase a mesma coisa só que acrescentam:

-Tem logo um filho, assim garante seu visto, já que é mãe de cidadão estrangeiro.

E aí sabe aquelas dúvidas? Elas aumentam em proporções exponenciais, porque você se encontra sozinha, sem amigos, especialmente se você não é mãe, nem casada com estrangeiro, a família cobra sua presença, se “preocupa”com seu futuro muito mais do que você e a insegurança fica cada vez mais forte você começa a pensar:

Eu deveria conseguir qualquer emprego, qualquer um, só para caso eu queira ir embora eu tenho dinheiro, ou…será mesmo que eu deveria ter um bebê? Eu nem quero muito, acho que não é o momento mas acho que talvez seja a melhor opção.

E sabe o que é pior? Ninguém nunca pensa o contrário, ninguém nunca pensa se você, como mulher, cansar do cara?

Eu demorei muito tempo para conseguir a segurança de poder dizer para todos que escolhi e quero estar aqui e ser empreendedora, fico muito feliz de ter escolhido bem meu parceiro de vida e ele me apoia e é o primeiro a dizer: Estou orgulhoso de você, você ainda vai se dar muito bem.

Obrigada boyzinho 😉

É isso não vou atrás de qualquer emprego só por dinheiro, trabalhar com redes sociais e blog me faz me sentir completa e útil, não é porque não é um emprego estável e conservador que não é um emprego.

E se por acaso um dia o amor acabar e em consequência o casamento,

Fazer o que né? É a vida, a gente escolhe viver a nossa, da melhor maneira possível, seria perfeito se sempre fizéssemos as escolhas certas.

Só espero que se acontecer eu já esteja estável no novo país e com um negócio que possa me sustentar.

E se eu precisar voltar para o Brasil, eu ainda tenha oportunidades profissionais e pessoas que possam me acolher.

Sei que esse texto eu falei cheia de generalizações e negativismo, além de uma experiência pessoal, tenho relato de várias amigas expatriadas.

Então se você é expatriada com visto de companheira e está lendo isso, saiba que estamos no mesmo barco, ou pelo menos a maioria.

E você que é familiar, amigo, conhecido de uma mulher expatriada, sei que você fala com as melhores intenções, mas guarde seus comentários negativos para você, tenha empatia.

Obrigada por lerem até aqui, você tem uma experiência parecida? Como você se sente sendo expatriada?

P.S. A foto do post representa minhas primeiras horas na Holanda.

Tenha esse papo comigo também nas redes sociais.

mundoporkely facebookInstagram @mundoporkely

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2 Comments

  • Reply Heloísa Maciel

    Que texto Kely!
    SImplicidade e honestidade escrita de forma tão clara e da forma de só quem passa sabe dizer.
    Muito obrigada por compatilhar e colocar em palavras o que sentimos.

    14 de junho de 2019 at 11:53
    • Reply Kely Rufino

      Obrigada, Heloisa! Tentei transmitir da melhor maneira possível, fico feliz de ter acertado 😀

      16 de junho de 2019 at 09:12

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